Chegou a mim essa animação do artista Raphaël Erba, de um menininho de HQ com uma caneta do tamanho dele numa das mãos e vários cards (foi no Instagram) contando a história de como ele sentia pressão do mercado para se tornar especialista em IA, mas sem ver sentido nisso já que não sentia necessidade, mas “tem que se atualizar porque é inevitável”, né? Nem é, mas deixemos isso para depois.
Ele conta que decidiu aprender a usar comenta o passo a passo de como viu tomarem uma animação dele, sem pedir, para ensinar a fazer igual com IA (e ficar bem ruim), de como ele mesmo fez o mesmo atingindo um resultado até muito bom, apesar de nunca ser o que ele queria, afinal, para fazer o que ele queria, bem… ele simplesmente faria!
A parte importante é que ele se tornou um especialista em animação com IA em um dia.
Tenho chamado a atenção para isso, que aprender a usar IA é muito rápido, que tem que ser muito rápido se as empresas quiserem que ela seja amplamente adotada.
Quantos % das pessoas você acha que usarão IA diariamente se tiverem que passar um mês estudando como usar? E que raio de inteligência seria essa que exige toda uma “engenharia de prompt” (um termo bem sem sentido, sejamos francas!) para funcionar bem?
Perceba que os melhores resultados obtidos com IAs generativas são aqueles desenvolvidos por quem entende muito bem a área e é capaz de identificar erros, fazer ajustes, partir de um ponto inicial já vem avançado.
A experiência do Raphaël é um excelente exemplo disso. Se o Instagram ainda existe esse link levará ao projeto de IA do Raphaelerba. Digo “se o Instagram ainda existe” porque esse site tem 18 anos e esse post ainda existirá em 20 anos, mas algo me diz que o Instagram não estará…
Mas, enfim, Essa é uma parte da história, outra, necessária, vem do comentário de uma amiga, que trouxe de lá para cá “porque sim”.
“O artificial custa menos que o real e economia ganha de qualidade muitas vezes porque quem contrata não pode pagar. Ok, às vezes o contratante até pode, mas prefere gastar com outra coisa.”
Minha amiga – Set/2026
Sou um cara que sempre trabalhou para “O contratante”, mais especificamente para mega corporações, dessas que financiam guerras, que fazem dívidas de bilhões e pagam muito bem, mas sempre procuro servir às pessoas. Por isso esse site existe desde 2008: para dizer “foda-se o contratante, quero colaborar com os contratados”.
A amiga está certa, a gente acaba seguindo o contratante atrás dos bons pagamentos que eles podem oferecer, mas o contratante médio não pode pagar muito, o contratante médio (ou mesmo o mega) não sabe a importância da qualidade, mas você sabe, o contratado sabe.
Perseguir uma carreira pensando no que o contratante quer é um erro porque isso não te levará a investir em você.
É o que tenho tentado dizer sobre IA, sobre o relacionamento com redes e mídias sociais, sobre como administrar o conhecimento (pouca coisa é mais importante em uma era cibernética), sobre a mecânica da influência do marketing em nossas vidas, sobre a importância de termos autonomia, privacidade e segurança para que sejamos capazes de controlar a nossa própria narrativa e pensamentos.
São os seis pilares para viver na era cibernética que tenho abordado aqui no Meme, em palestras, workshops etc.
Minha resposta para a amiga, então, é que realmente o contratante geralmente fixa preços e prioridades muito mal, mas que a nossa busca individual continua precisando ser o desenvolvimento das nossas habilidades, a capacidade de falar em outras línguas, que não serve apenas para nos comunicarmos, mas para expandir a nossa mente, a capacidade de resumir, classificar, organizar, pontuar destaques, interpretar sem a bengala de uma IA que, mesmo que fosse superior a nós (não dá nem sinal de poder chegar a isso um dia) ainda não seria melhor do que a jornada para a independência e autossuficiência da nossa inteligência, da nossa criatividade, da nossa habilidade, coisas que são nossas, que continuam funcionando se a Internet cai, se o computador trava.


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