Até o momento a impressão é que os políticos brasileiros tem duas questões em mente:

Como sempre diz Gil Giardelli: Não dá para explorar novas terras com velhos mapas.

Ao observar os contatos dos políticos com as ditas pessoas da Internet (ou Internautas) e suas estratégias para agradá-las é inevitável pensar nos velhos mapas que serviam para lidar com massas sem rosto.

Parece-me que estão todos bem equivocados.

Em primeiro lugar

Alguém precisa avisar que não existem pessoas virtuais, não existe um grupo de brasileiros politicamente rotuláveis como “internautas” e a Internet não é um fenômeno virtual que acontece em paralelo com o mundo real.

A Internet é um novo passo dado pelo mundo real offline em direção à construção de um espaço real online.

E para que serviria um espaço real online? Simples, para transformar um país de 200 milhões de pessoas em uma vila com 200 habitantes.

Em segundo lugar

A Internet existe porque os cidadãos, eleitores ou não, se cansaram de assistir o mundo pela TV e decidiram ser co-criadores da história.

O político moderno deve se esquecer das redes sociais online e perceber que há somente uma rede social de 200 milhões (na verdade sete bilhões, mas essa é uma outra etapa) de indivíduos que estão a 4 graus de separação uns dos outros.

Ao contrário dos tempos em que o mundo se comunicava somente offline hoje uma ideia que atenda aos anseios da maoiria se propaga em horas, não em dias.

Em terceiro lugar

Sabe essas estranhas pessoas da Internet que os levam a contratar especialistas em Internautas? Elas não são estranhas, elas são as pessoas como são hoje, com os mesmos desejos e expectativas que as pessoas que não são da Internet (lembrando que a Rede é o que é porque o mundo pré-internet a criou assim).

Sei que isso ficou repetitivo, mas essa é a primeira grande lição a aprender: Vocês não estão lidando com novas pessoas produzidas pela Internet, vocês estão lidando com todas as pessoas que criaram a Internet, mesmo que nem todas essas pessoas realmente usem a Internet.

Isso quer dizer, repetindo mais uma vez, que mesmo a senhora de 80 anos que nunca entrou na Grande Rede espera de você a mesma coisa que o nerd de 13 que entende tudo de iPhone.

Em quarto lugar

O que as pessoas querem é muito simples: elas querem ser ouvidas. Elas querem sinceridade. Elas querem seu engajamento pois elas estão muito engajadas com suas vidas e esperam dos políticos que lhes permitam viver em paz sem ter que se desdobrar para consertar o que os políticos quebraram ou deixaram de consertar.

Ao subir no palanque não faça promessas, não se coloque acima do mundo. Ao subir no palanque sua mensagem clara deve ser:

“Eu terei o pulso forte para tomar as decisões necessárias sozinho quando as circunstâncias não permitirem consultar vocês, mas sempre que possível o meu governo será o governo da voz do povo, da sua voz, pois sejamos ricos ou pobres, brasileiros do norte, nordeste, sudeste, centro-oeste ou mesmo morando fora do Brasil, todos queremos as mesmas coisas: prosperidade, paz, o direito de se divertir sem medos ou preconceitos, voltar a ser o povo pacífico, hospitaleiro e coerente que já fomos”.

Em quinto lugar

Desista de tentar parecer ser ateu, religioso, humanista, comunista, ecologista, capitalista, gay, homofóbico, feminista e sexista!

As novas pessoas estão ligadas umas às outras descobrindo que as diferenças de credo, cultura e filosofia não são diferenças, mas facetas de uma jóia rara que, se respeitada, faz da humanidade um belo espetáculo de nuances e cores.

As novas pessoas estão percebendo que suas crenças, cultura e filosofia são princípios pessoais que devem ser aplicados a elas mesmas e jamais impostos ou mesmo sugeridos aos outros.

Você, político, pode crer no que quiser, ter preconceito contra o que precisar (embora isso seja mesmo um desvio muito doentio), mas seu papel é deixar claro (e ser sincero nisso) para aqueles que votarão em você que você serve aos interesses da inteligência coletiva desse país e, como presidente, do restante do planeta.

A mensagem que você deveria dar é que não importam suas convicções pessoais, elas servem para você e para os seus amigos. Como político você defende os interesses de todo cidadão desde que ele não invada os direitos dos outros, mesmo que isso implique em estruturas familiares que você não consegue aceitar ou na decisão de abortar um filho.

Em sexto lugar

Se há uma dica simples que possa sintetizar tudo que eu disse… Na verdade há duas:

  1. Você está em uma praça pública e todos os eleitores do Brasil estão a no máximo 10 metros de você: o mundo virou uma vila, tenha isso sempre em mente
  2. Se você não é naturalmente capaz de ver as diferenças como uma forma de riqueza social e cultural e se sente superior aos outros desista da política.

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