Imagem: Jason Hickey

Oito atentados terroristas em cinco locais (atualizado em 15/11) coordenados em Paris estão acontecendo agora enquanto assistimos perplexos e tentamos nos organizar para fazer algo (use a #tag #PorteOuverte‬ para oferecer e pedir abrigo se estiver em Paris).

Nesse momento estamos sofrendo não só pela França, mas porque sentimos que há falhas estruturais em nossa civilização que levam aos horrores do terrorismo, da mudança climática, crimes ambientais (como o recente da Vale e BHP em Mariana), da violência contra mulheres, etnias e gêneros.

Há uma corrente de ligação entre todas essas chagas. Elas são facetas do mesmo manto sombrio de ignorância, ganância, medo, invisibilidade conquistada em acordos políticos e comerciais e supressão da voz popular levada a se perder em conflitos de classe ilusórios.

O que tenho a dizer é difícil.

Principalmente no momento de dor e indignação.

No entanto é justamente quando nossa carne está sendo dilacerada pela dor que aprendemos a ser humanos acima do sofrimento. Aprendemos a ouvir a razão no fundo dos nossos corações mesmo quando eles estão tomados pelo féu corrosivo da ira.

O que tenho a dizer é que hoje foram mortas pessoas únicas com talentos especiais pois todos nós temos talentos especiais.

No entanto quem matou também poderia ter descoberto seus próprios talentos tornando-se parte da beleza humana, mas a miséria, ignorância, medo e ganância que permitimos que façam parte estrutural da nossa civilização os corrompeu e deu espaço para o que há de pior em nós pois, sim, humanos também são capazes de coisas horríveis.

Deixo como um farol uma menina comum com um talento incomum como tantas das vítimas e algozes de hoje.

Pois é nas trevas que temos que voltar nossos olhos para a luz. É. Dói muito. Sentimos como se estivéssemos traindo as vidas perdidas, mas devemos isso a todos que poderão ser vítimas no futuro.

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