Todo animal solto na floresta ou mesmo na cidade sabe se alimentar adequadamente recorrendo aos seus instintos, entretanto nós parecemos ter instintos “brurrinhos” ou “gordos” como já disseram alguns amigos.

A piada é engraçada, mas viver sofrendo, achando que temos que viver uma permanente luta contra nossos instintos para fazer dietas quase sempre desesperadas em busca do emagrecimento não é vida. E não faz sentido.

Tenho visto até dizerem que nossa espécie tem atração por sal, gordura e açúcar porque houve um período em que quase todos nós morremos (certa de 170 mil anos atrás) e os sobreviventes foram justamente os que armazenavam melhor esses alimentos. Isso é verdade, mas a hipótese de que nossos instintos não funcionam corretamente e que vamos comer essas coisas até estourar a menos que a gente use nossa mente racional para brigar com os instintos é derrubada pelo fato da obesidade epidêmica ser, como eu já disse, um fenômeno dos últimos 100 anos.

O que mudou? Aqui vão algumas hipóteses.

Psicologia e Marketing

Nesse período vemos o nascimento das ciências da consciência e avanços estonteantes no entendimento de como o processo evolutivo moldou nossas mentes.

É fácil ver na mídia os reflexos disso com imagens, cores e associações de ideia que hipnotizam nossos sentidos convencendo-nos a beber uma bebida porque ela abre a felicidade, fumar aquele cigarro pois é o sabor do sucesso ou consumir aquele lanche porque seduz nossos olhos.

Nesse arsenal temos desde a psicologia evolutiva até a própria memética que tanto gosto (ainda que nem tenha status de ciência ainda).

Química e biologia

De um lado nosso conhecimento de biologia nos permite saber que compostos serão mais… digamos… atraentes para nossos sentidos, de outro os desenvolvimentos na química torna possível criar super adoçantes, flavorizantes, colorizantes sem falar em compostos invisíveis que são simplesmente viciantes.

Esse último é um inimigo oculto.

Pense um pouco: a indústria do cigarro, ainda que vigiada, desenvolveu uma das drogas mais viciantes que a humanidade já experimentou. Agora se pergunte o que impediu a indústria de comida (me recuso a chamar de alimentos) de fazer o mesmo? Principalmente considerando também que a vigilância que ela sofre é muito mais sanitária do que em busca de drogas.

Essa é capciosa: a era da informação nos transforma de devoradores de memes

Aqui o território é nebuloso, principalmente porque, como disse mais acima, a memética sequer deixou o estatus de hipótese, mas vou usar a palavra assim mesmo pois acho que já sintetiza bastante do fenômeno.

Quando andamos pelos corredores de um evento como a Campus Party Brasil (reunião anual de mais de 6 mil pessoas hiperconectadas durante uma semana) vemos que vários dormem pouco, comem pouco e se refestelam de informação e interações sociais velozes.

Temos também diversos casos noticiados todo ano de gamers que esquecem de comer ou de dormir e morrem diante dos seus consoles.

Ainda na semana passada uma jovem redatora morreu depois de trabalhar 3 dias seguidos sem parar.

Nosso cérebro é capaz de encontrar tanto prazer no consumo e processamento de informação que suplanta as nossas necessidades físicas.

No caminho inverso nós podemos escolher o que comer por seu significado memético, seja emocional ou cultural. A pizza, o hamburger, as batatas fritas e o refrigerante tem imagens mentais tão fortes que suplantam nosso instinto físico e são comuns comentários do tipo “não posso viver sem ______” (preencha a lacuna).

Na maioria dos casos parece claro que se trata de uma dependência psicológica e não física que não é muito diferente daquela que sofre o gamer que esquece de comer, só que aqui a pessoa deixa de se alimentar para consumir memes.

E o que fazer?

Estou escrevendo esse post precocemente, mas já estou experimentando o que pode ser uma solução para vários de nós.

O primeiro e mais importante ponto, na minha opinião, é esquecer totalmente o peso, afinal podemos perder 11kg em um único dia desidratando (não faça isso).

Para ser saudável e magro ou magra (ops! por acidente) creio que o primeiro passo é livrar seus instintos dos vícios químicos e mentais.

Teoricamente tinha cerca de 20kg para perder quando decidi finalmente dar um jeito na minha saúde.

Até hoje perdi perto de 11kg (e, não, eu não estou desidratado hehehe) e minha saúde geral melhorou enormemente, e olha que não estava ruim antes.

Estou fazendo anotações e pretendo reunir tudo em um grande post ou pequeno livro, mas sei que vão me xingar se eu não disser nada agora.

O meu “segredo” foi simplesmente procurar novos alimentos minimamente processados e saboreá-los em busca de novos alimentos preferidos e de uma consciência dos meus instintos físicos.

As frutas assumiram um novo sabor para mim, assim como vários legumes e grãos. Folhas realmente não são (pelo menos por enquanto) algo que me dá água na boca.

Com os novos alimentos passei a ter necessidade de ingerir muito menos comida (perto de 1/3) e chego a brincar que fiz exo-bariátrica, ou seja, operei meu prato reduzindo-o a um terço.

Vários alimentos ou comidas perderam totalmente a graça para mim como batata-frita, pipoca doce, pizza e massas em geral (incluindo arroz branco que nunca gostei muito) e coisas açucaradas demais como a maioria dos chocolates.

O resultado é que fico muito satisfeito com as minhas refeições, tanto física quanto mentalmente em vez de travar uma batalha constante entre minha fome e meus desejos.

Estou convencido de que se obrigar a seguir dietas Dukan (tem na Cultura: digital, papel), Dugato ou mesmo Dulhama está fadado ao fracasso se você as fizer na expectativa de emagreger e poder voltar a satisfazer seus vícios mentais, culturais ou físicos.

O caminho do corpo saudável, e consequentemente não gordo, ao meu ver não é outro senão a recuperação dos seus instintos mais puros.

Ah! Uma das hipóteses que apresento aos amigos é que os produtos exageradamente químicos confundem nossos instintos que não se adptaram para identificar o que fazer com esses produtos e entram em colapso.

Ah dois! “Consequentemente não gordo” dois parágrafos acima é porque desconfio que o corpo ideal para a maioria de nós é uma magreza que não é saudável e nosso objetivo devia estar mais voltado para não estar gordo ou, preferencialmente, nem se preocupar com isso deixando que o corpo saudável ache seu equilíbrio ideal.

Material Extra

Como nosso corpo digere alimentos integrais e alimentos processados?

[youtube]zi_DaJKsCLo[/youtube]

Tenho visto pessoas desesperadas fazendo a dieta Dukan como a maioria das outras, mas os que leram o livro parecem seguir um programa muito diferente, e saudável, de reeducação alimentar. Por isso compartilho antes mesmo de ter lido.

Capa do livro Eu não consigo emagrecer, de Pierre Dukan

Compre na Cultura: DigitalPapel

 

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