A essa altura você provavelmente já ouviu falar sobre a construção artificial da crise econômica no Brasil para preparar o impeachment e que há uma conivência da mídia com a, alegadamente, falsa crise da previdência, então vou trazer para cá uma primeira reflexão memética.

Por reflexão memética quero dizer “que mudanças de percepção e movimentos ‘subterrâneos’ de massa criam as condições para essa conjuntura”.

Antes, entretanto, é necessário um breve resumo:

  1. A percepção dos críticos é que não há uma conjuntura, mas uma conivência de grandes grupos de mídia, corporações com poder político e naturalmente políticos que devem sua posição ao apoio dos dois primeiros grupos. Não negarei isso, mas observe que existe um quarto ator nesse cenário, a população que se mantém refratária a quem defende que a crise é construída e que a reforma da previdência está errada ou sequer é necessária;
  2. De acordo com as críticas (vídeos mais abaixo) grande parte do déficit da previdência é porque impostos que seriam para seus cofres são desviados já desde 1989. Outros denunciam que os governos vem “comendo pelas bordas” verbas tiradas diretamente da previdência;
  3. É fato que quem está trabalhando agora paga a aposentadoria de quem já não está trabalhando. O nosso modelo de previdência não é o do trabalhador contribuir para a própria previdência, o que é bom já que tudo indica que esse modelo não funciona por motivos apresentados nos vídeos mais abaixo.
  4. Também é fato que governos e grupos de mídia “esquecem” que os recursos para a previdência não veem apenas dos trabalhadores, mas também das empresas;
  5. Uma economia capitalista saudável consegue implementar duas medidas (essa é uma afirmação minha que coloco como corolário aqui)
    1. Produz através da ultra qualificação e Inteligência Artificial um cenário em que poucos trabalhadores produzem mais capital que muitos no modelo capitalista antigo além de garantir uma circulação mais livre do capital excedente das grandes corporações
    2. As pessoas de idade mais avançada que desejarem podem permanecer produtivas economicamente como parte da composição das suas atividades necessárias para se manter saudáveis na velhice.

O quinto ponto já é um salto dedutivo que mereceria ser mais desenvolvido, o que farei assim que possível, mas quero retornar ao ponto principal desse post:

Por que a população está aceitando as declarações incorretas e incompletas sobre a crise e sobre a previdência?

O fenômeno se repete em outros países e a oposição precisa entender o que o provoca para aplicar medidas profiláticas e corretivas.

Trata-se, ao meu ver, de uma mecânica similar à do terraplanismo, que vem sendo um ótimo exemplo de como podemos chegar a delírios intensos.

Assim como o terraplanista é refratário a demonstrações de que a Terra é esférica porque a crença dele não está atrelada à razão e sim a uma necessidade de sentir um “chão” sob seus pés, as pessoas em geral estão dispostas a abraçar um conjunto de certezas antigo.

O Século XX foi marcado por crises econômicas que geralmente o cidadão em geral não tem tempo ou conhecimento necessário para entender e acaba assumindo intuitiva e subjetivamente que é um ciclo normal. Como as estações do ano.

Além disso, enquanto o terraplanista na verdade busca uma certeza sobrenatural no mundo real, algo que confirme que a realidade é mágica, as pessoas em geral estão buscando uma realidade familiar rejeitando encadeamentos de raciocínio que exigem observar as mudanças estruturais por que a política, o trabalho, a moral e tudo o mais estão passando.

Então, se para “curar” o terraplanista precisamos mostrar para eles que há muito espaço para o sobrenatural no Universo nem que seja no espaço infinito da nossa mente e como ela lida com o mundo que vai se descortinando enquanto o estudamos, para esclarecer a população precisamos construir um novo chão social e político gradativamente.

Para isso podemos partir da apresentação da sociedade sobre 4 pilares: As corporações que produzem grandes inovações e circulação de capital, a classe política encarregada de garantir os direitos dos trabalhadores dessas corporações (incluindo aí executivos) antecipando desafios como o desenvolvimento da IA, a mídia como instrumento de transparência dos dois primeiros e uma população que faça balbúrdia, digo, que se articule como um poder paralelo capaz de cobrar transparência tanto da mídia quanto da classe política.

Utópico? Sim, tão utópico quanto a democracia que temos hoje. Trata-se apenas de um novo passo em direção a uma democracia mais abrangente e sólida.

Esse era para ser um post “Gotas”, ou seja, breves comentários sobre um artigo ou tema. Vou deixar na categoria gotas mesmo porque ele apenas lança ganchos de ideias sem desenvolvê-los.

Segue algum material de apoio.

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