Era um pequeno (uns 18) grupo de alunos de turismo da UFF em Niterói e a missão (a pedido do professor deles e velho amigo Adonai) era dar a eles elementos para compreender e se preparar para o mundo depois da Internet.

foto da audiência

Se você já anda mergulhado (ou mergulhada) nessas questões já deve estar me repreendendo pois é mais ou menos consenso que o mundo mudou e depois criou a Internet, mas decidi começar com eles do começo.

Falar com alunos de universidade não é trivial.

Eles são jovens, mas já estão na corrida pela sobrevivência procurando se encaixar em uma posição de trabalho enquanto tentam cumprir a misão primordial de todo humano: curtir a vida.

Era, portanto, um grupo um tanto sonolento e que talvez não tenha conseguido achar muito espaço para pensar em novos paradigmas, cibercultura, sociedade do conhecimento e o que isso significa para suas carreiras.

Decidi fazer a apresentação no ritmo da cibercultura, ou seja, falei rápido e despejei um fluxo um pouco denso de informações apesar de ter procurado seguir uma rota linear que mostrasse primeiro que a Internet e a sociedade do conhecimento não são novidades, e sim o mais novo passo em um processo que começou quando nossa espécie se tornou capaz de processar informações.

Fiquei satisfeito no decorrer da fala ao reconhecer nos olhares aquela brilho de quem está surpreso.

Dizem que os jovens andam conservadores e sem perspectivas, mas, pelo menos nessa turma, fiquei com a impressão que eles só precisam ser surpreendidos e receber um fluxo de informação que lhes prenda a atenção.

É claro que ao final eles se apressaram para ir embora como nos filmes depois que toca a campainha de intervalo! Hahaha!

Depois do último slide ainda sobrou algum tempo e eles preferiram ver vídeos a fazer perguntas (muito embora alguns tenham falado comigo individualmente antes de sair) e mostrei os seguintes:

Internet para o Nobel da Paz:

Propaganda da IBM para o Linux, mas que se encaixa perfeitamente na Internet:

Mostrei também esse vídeo sobre o uso de realidade aumentada em turismo:

Você pode chegar a apresentação aqui:

Aqui vão algumas coisas que falei e outras que deveria ter falado em cada slide:

  1. No primeiro slide fiz um resumo do que pretendia apresentar a eles: Já falei isso mais acima
  2. A Internet é causa ou efeito? Muito antes da Internet a gente já via tentando resolver o problema de sermos uma sociedade de expectadores que sentia necessidade de ser co-autor, remixador
  3. “Rede de computadores” não é o que a Internet é, isso é como ela funciona. Ela é um meio para as massas se comunicarem. O Rádio quase foi em seu início. A prensa de Gutemberg certamente foi um tipo de embrião da Internet
  4. No entanto, muito antes disso tudo, a Gronka das cavernas já tuitava: compartilhar informações é uma função básica das nossas mentes
  5. Conforme nossas tecnologias de comunicação foram melhorando a sociedade inteira foi mudando partindo de pequenas tribos nômades, passando para agrupamentos agrículas, depois cidades e agora caminhamos para um tipo de aldeia global
  6. Características da nova cultura: o prossumer se sente no direito de interferir na empresa prestadora de serviço. O que acontece com a economia quando a oferta é infinita? Amadores falam sobre tudo e isso é ruim ou estamos nos tornando generalistas e isso é bom? Uma boa leitura para entender o futuro dos negócios é o livro O Que a Google Faria?
  7. Aa empatia faz com que as minorias sejam apoiadas pela maioria e o que antes eram nichos de mercado a ser explorados se tornam mais olhos atentos vigiando as atividades das empresas
  8. Os problemas da proriedade sobre a produção cognitiva da humanidade quando o novo paradigma exige o tráfego irrestrito de informação para criar um tipo de oceano informacional onde o conhecimento pode ser produzido mais rapitamente
  9. Nós compramos átomos ou bits? Design e branding são bits. Conheço pessoas que pagam o valor de um excelente smartphone para ter um aparelho ruim, mas visualmente idêntico ao iPhone.
  10. Nesse slide dou alguns exemplos de cases recentes ou de destaque que ilustram as novas relações entre consumidor e indústria
  11. Se todas as pessoas no mundo (com mais de um bilhão de humanos sem luz, água potável e alimentos ainda estamos longe, mas chegaremos lá) tiverem acesso à Internet e puderem expor suas opiniões para que precisaremos de políticos que nos representem? A hiperdemocracia será um tipo de holoarquia?
  12. Assim como não dizemos que uma conversa ao telefone aconteceu no mundo virtual já está na hora de passar a falar em realidade online e realidade offline (e a última é menos concreta)
  13. Desde o ano passado os celulares passaram a ser mais usados para transferir dados do que para falar: é a última fronteira entre a realidade offline e a online
  14. Exemplos de realidade aumentada
  15. A realidade virtual é diferente e ainda terá muita história a contar. No dia não me ocorreu, mas jogos podem ser campos de treinamento e de motivação para mudar o mundo. Veja a fala de Jane McGonigal: Jogos podem criar um mundo melhor.
  16. Porque o ensino tem que ser chato? Porque as coisas sérias não podem ser divertidas? O aprendizado tangencial transfere conhecimento através de jogos
  17. Regras de sobrevivência na sociedade do conhecimento (isso vale a pena repetir):
    1. Relevância
    2. Criatividade
    3. Serviços (com qualidade e personalização)
    4. Sociabilidade (participe de redes sociais online e offline)
    5. Capacidade de filtro (repita isso 1024 vezes elevado a dez elevado a 100)
  18. Consumimos 34GB de informação por dia e nosso impulso intelectual natural nos transformará em escravos disso se não nos treinarmos para filtar e classificar com ou sem ferramentas auxiliares
  19. O último slide contém links para se aprofundar e créditos das imagens usadas

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