No dia 31/08 a ESPM promoveu um debate com Derrick de Kerckohove no teatro Oi Casa Grande, mas só hoje consegui parar para escrever a respeito.

Achei no site da Ana Erthal um vídeo com a íntegra da palestra do Derrick de Kerckhove no Oi Casa Grande então não preciso contar como foi e posso partir para o que me chamou mais a atenção.

Tanto o vídeo produzido pela ESPM (que infelizmente não consigo encontrar online) quanto a própria palestra do Kerckhove mostram a profunda interação moderna com os jogos evidenciando o contraste entre a passividade diante da TV e o envolvimento com um videogame.

É claro que nunca fomos passivos diante da TV e os fãs de Jornada e Guerra nas Estrelas estão ai para provar isso assim como as memórias das nossas brincadeiras de infância quando assumíamos o papel do mocinho ou bandido famoso da época na novela ou seriado.

No entanto o jogo digital, é claro, oferece um novo nível de imersão no mundo virtual o que assusta muita gente.

Tenho dito que o virtual digital é apenas uma nova camada de virtualidade criada conforme nossa mente evolui, mas sempre me faltam argumentos e Derrick, em uma pequena frase, me lembrou de um excelente exemplo: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha.

Para quem não conhece a história Dom Quixote é o alter ego de um humilde fazendeiro que mergulha em sua coleção de livros de cavalaria (cujos códigos de honra se encontravam em pleno declínio na época) tão profundamente que passa a ver a realidade pelas lentes da sua fantasia.

O mundo virtual dos livros (que no entanto já tinha sido real um dia) invade a realidade do engenhoso fidalgo de tal forma que moinhos se convertem em monstros e seu pangaré lhe parece um imponente corcel.

A obra de Cervantes é uma fantasia, claro, mas demonstra perfeitamente que a idéia de criarmos mundos virtuais em nossas mentes que são mais reais que o universo palpável é um impulso humano há séculos.

No entanto, ao contrário da fantasia do fidalgo, os novos mundos virtuais não parecem resgatar os códigos de honra ou qualquer outro louro do passado. Os mundos virtuais modernos parecem totalmente novos.

Mas não são.

O que estamos resgatando é justamente a aldeia.

Talvez nunca mais tenhamos vivido a realidade desde que tivemos algum tipo de consciência pela primeira vez, mas a migração da aldeia para a cidade foi um passo gigante para dentro de espaços virtuais cultivados em nossas mentes e materializados com pedras e barro.

No final nos tornamos estranho uns para os outros, não só entre culturas distantes, mas dentro das nossas próprias cidades.

Agora voltamos a ver o mundo como uma aldeia de pessoas semelhantes e as diferenças culturais cada vez interferem menos em nossa capacidade de desenvolver empatia pelos outros.

E o que tudo isso tem a ver com entretenimento e novas tecnologias de comunicação? Bem… Pouco… muito pouco, lamento. Mas foram essas as reflexões que a palestra e o debate me despertaram. Se achar algum artigo sobre isso coloco aqui, no entanto procurei bastante e acho que ninguém escreveu.

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