Talvez seja impossível a um determinado sistema entender a si próprio, mas o esforço nesse sentido sem dúvida nos traz benefícios.

Somos humanos e portanto talvez estejamos impedidos de realmente saber de onde veio nossa consciência, como ela funciona hoje e, muito menos, para onde ela irá, mas se tivermos algumas ideias sobre as nossas origens teremos algum controle sobre quem somos e talvez possamos, apenas talvez, fazer algo para que venhamos a ser melhores do que somos hoje, não mais adaptados e aptos a sobreviver, mas uma forma de consciência que se integra ao seu meio ou o modifica de formas que favoreçam a todos, humanos ou não, vivos ou não (estou me referindo a matéria inanimada e não a seres sobrenaturais que, se tem consciência serão considerados como seres vivos).

É importante termos sempre em mente que não podemos nos deixar seduzir pela impressão de ter descoberto uma explicação para a consciência, nosso objetivo deve ser o de tentar nos entender melhor em um processo sem fim pois a cada passa que damos no sentido de entender nossa consciência atual ou passada faz com que nossa consciência futura avance 10 passos. Utopia é um belo conceito.

Há tempos a ideia de uma explicação simples para a existência e desenvolvimento da nossa consciência toma meus pensamentos.

Essa não é uma descoberta minha, mas o resultado de diversas pesquisas nos campos da antropologia, genética, biologia, psicologia evolutiva e até da física.

A maior ameaça é ceder à resposta simples dos deuses das lacunas, aqueles que criamos para preencher um espaço da nossa ignorância por não termos forças para enfrentá-la.

“A consciência é o sopro de Deus, um espírito imortal plantado em nossa carne efêmera”

Essa é a resposta dos deuses das lacunas: não entendo e receio que a resposta me torne fraco, efêmero, medíocre.

Há aqui um paradoxo lógico: se temos medo de encarar nossa mediocridade para investigar nossa própria natureza será que não estamos sendo fracos, medíocres e efêmeros?

Premissa básica

A consciência humana é fruto das interações entre dois aspectos básicos de toda forma de vida:

    1. Evolução orgânica/genética
    2. Evolução informacional/memética

Todo o resto das nossas complexidades viriam das interações dessas duas forças reagindo ao ambiente e uma à outra.

Isso não caberá em um post, mas é preciso esclarecer ainda o que é evolução genética, evolução memética e que teorias serão adotadas para explicar como elas (supostamente) funcionariam.

Evolução Orgânica / Teoria de Darwin

Há um senso comum de que a evolução genética é uma teoria. Não é. Trata-se de um fato observado não só em registros fósseis bem claros, mas em organismos que se reproduzem muito rápido e dão exemplos da evolução em andamento.

Outro senso comum é de que a evolução torna os seres melhores, mais inteligentes, mais fortes e mais bondosos ou sábios. O que se observa de fato é que ela os torna mais aptos a sobreviver fisicamente. Se para isso eles tiverem que se tornar mais fracos e flexíveis é o que acontecerá ou eles se extinguirão.

A melhor (na verdade a única) teoria que temos para explicar o mecanismo da evolução orgânica é a teoria de Darwin (para ser mais exato ela mesma já evoluiu e não é idêntica à que vemos no livro de Charles, mas as bases permanecem):

    1. Se temos um organismo capaz de se dividir sofrendo alguma mutação
    2. Se os organismos disputam entre si para sobreviver
    3. Se os sobreviventes podem transmitir suas características aos seus descendentes
    4. Então deve haver evolução

A teoria, apesar de extremamente simples, é capaz de explicar toda a vida na Terra desde o organismo mais simples até o mais complexo e os gens, descobertos depois da teoria de Darwin assim como outras descobertas só vieram a confirmar a validade da teoria.

Todos nós, organismos vivos e biológicos, somos de certa forma máquinas que transportam genes que foram construindo receptáculos cada vez mais aptos a sobreviver.

Vale a pena observar que o ser humano e nem mesmo os seres multicelulares devem ser vistos como mais evoluídos. Esse é um conceito que não se aplica. Estamos todos igualmente em processo de evolução, ou seja, adaptação.

Mas entre animais como os humanos e outros dos chamados animais superiores (símios, felinos, equinos e, claro, a classe dos golfinhos (#piadanerd) tem existe outra coisa acontecendo: esses animais processam informação. Volumes enormes de informação.

E a informação evolui?

Evolução Informacional / Teoria em aberto (Dawkinks?)

Os genes em si são unidades de informação, mas eles nos parecem mais reais por serem matéria, cadeias de carbono.

É difícil imaginar a informação como uma unidade definida (a propósito os próprios genes não são unidades tão claramente definidas).

Um meme seria uma unidade de informação capaz de:

    1. Se multiplicar sofrendo transfromação
    2. Transmitir parte do seu conteúdo informacional para suas cópias
    3. Disputar espaço em seu meio com outros memes
    4. Então os memes deveriam evoluir.

Mas afinal o que é uma unidade de informação?

Uma frase melódica é uma unidade de informação?

O orgulho é uma unidade de informação?

O medo de deixar de existir é uma unidade de informação ou é um impulso programado por nossa evolução orgânica para nos manter vivo para reproduzir o máximo possível e por nossa evolução informacional para que possamos passar mais tempo reproduzindo, transformando e selecionando memes?

Se os organismos vivos habitam lagos, terra, o ar e nossa corrente sanguínea disputando espaço e alimento com outros organismos então os memes vivem em nossas mentes disputando tempo com outras ideias e se reproduzem saltando de uma mente para outra.

É bem razoável notar similaridades entre a informação e a matéria e concluir que a nossa consciência é fruto dos memes buscando máquinas cada vez melhores para sobreviverem.

A evolução da matéria ao longo de bilhões de anos nos deu estrelas, planetas e seres vivos. O que a evolução da informação pode nos trazer?

Porque outros animais não desenvolveram consciências como as nossas? Ou é apenas uma questão de tempo? (não creio)

Para podermos amadurecer nossas ideias temos que explorar o que sabemos hoje sobre consciências menos complexas que a nossa e suas semelhanças com a consciência humana.

Em breve…

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