Imagem: Cory Seward

Contextualizando…

Essa semana a personalidade Rita Lobo respondeu a uma pergunta sobre por que ela não ensinava a fazer maionese de óleo de coco e iogurte dizendo que isso não seria maionese (de fato) e sugerindo tratamento do distúrbio alimentar.

O distúrbio em questão vem sendo chamado de ortorexia que seria, grosso modo, a obsessão de ingerir apenas comida considerada saudável.

Entendo que a questão é um pouco mais complexa, afinal que critérios as pessoas estão adotando para eleger o que é saudável?

Alimentação envolve prazer e… Bem… Alimentação no sentido de nutrir o corpo.

Temos um problema se agravando nos últimos 50 anos que produz comidas que oferecem cada vez mais prazer e menos nutrição.

Soma-se a isso uma bizarra dissociação cognitiva que nos leva a associar perda de peso a saúde mesmo quando achamos que não ligamos tanto para a perda de peso ou para uma aparência magra.

O resultado é uma verdadeira neurose alimentar, aliás neurose e histeria que nos levam a buscar desesperadamente algum tipo de guia ou fórmula de alimentação saudável.

É uma situação desesperadora para muita gente e não pode ser tratada como algo simples.

Lido com tranquilamente com a minha relação com o prazer alimentar e a função nutricional, aliás sequer tenho uma grande relação de prazer com comida (Cylons obtém prazer mesmo é de informação e conhecimento hehehehe). Além disso tenho boa base científica e mesmo assim encontro há anos bastante dificuldade em estabelecer bons hábitos alimentares.

É muito difícil porque, em primeiro lugar, o ensino fundamental nos ensina a aprender as respostas e não a compreender que o conhecimento é um fenômeno em movimento, ou seja, não há nada errado em descobrirmos que, por exemplo, as fibras que já foram tidas como inúteis (na década de 70 mais ou menos) serem reveladas depois como essenciais. Se aprendermos que o conhecimento é vivo e dinâmico estaremos prontos e prontas para assimilar as novidades e entendê-las.

Em segundo lugar a mídia tem dificuldade em fazer artigos corretos. Acabamos vendo matérias que confundem casos específicos com regras gerais, algo como um artigo científico que revele que o excesso do alimento X pode causar o mal Y se transformar em uma manchete “Alimento X pode destruir sua família!”.

Finalmente temos a indústria de comida (que me recuso a chamar de alimentícia enquanto ela produzir coisas como “suco detox”) empenhada em nos viciar e maximizar lucros, mas não em nos alimentar.

Ou seja, eu concordo em linhas gerais com a Rita Lobo, mas é necessário destacar esses três vilôes (tem o quarto que é o marketing, não nos esqueçamos do marketing) na construção de uma visão doentia da alimentação. Seja no sentido de “comer qualquer coisa pelo prazer”, seja no de “comer sem prazer para se curar da gordura”.

E o que fazer e por que ovos ilustrando o post?

Ovos são simples, mas nem sempre são agradáveis.

A boa alimentação é simples, mas infelizmente aprendemos a vê-la como desagradável.

Não há mistério: como todo outro animal temos instintos para nos orientar. Eles podem estar prejudicados pela adição de “drogas” (açúcar, sal, gordura etc.) nos alimentos industrializados e ação do marketing, mas são seis milhões de anos de história dos hominídeos e 200 mil da nossa espécie específica, ou seja, os instintos estão lá.

Sugiro ir escolhendo toda semana um novo alimento ao natural que você goste ou possa aprender a gostar como frutas, vegetais, folhas, carnes (não aquelas “carnes” ultra-processadas como hamburger nugget… Vc sabe, carne!) e procure cortar uma industrializada começando pelos refrigerantes que são fáceis de cortar…

“Ahhhhhhh!!!! Eu não vivo sem refrigerante!!! Não! Pelo que há de mais sagrado!! Milkshake!!! EU PRECISO DE MILKSHAKE”

Por favor, né? Tenhamos um mínimo de maturidade, certo? Não temos mais seis anos de idade e também não vamos querer envergonhar nossos antepassados que enfrentaram obstinadamente milhares de anos comendo apenas raízes, pequenos animais e… ovos.

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